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DOMA
O trabalho de base na doma de um potro é e sempre será muito importante para que ele tenha um bom desempenho e um bom desenvolvimento das atividades, seja qual for o tipo de modalidade em que ele irá correr. Nós que estamos envolvidos e que trabalhamos com cavalos, temos a obrigação de desenvolver esse trabalho, e saber como funciona a cabeça deles. Através desses conhecimentos, fica muito mais fácil perceber as dificuldades que o animal possa ter.
Características que uma pessoa precisa ter para trabalhar com cavalos:
- Paciência, para respeitar o tempo do cavalo;
- Respeito, para não invadir o espaço do cavalo quando não for necessário;
- Sensibilidade, para entender um pequeno movimento;
- Criatividade, para saber qual o próximo passo a ser dado acertadamente, errar o menos possível;
- Dedicação, para cuidar do seu bem estar físico e mental;
- E muito Amor, para que ele o recompense com vitórias na pista.
Tudo isso porque a convivência com esses animais faz de nós pessoas melhores.
Cavalos não são bichos de estimação, na hora certa temos que ser firmes, temos que ter uma postura para não confundi-los. Para que entendam que entre nós também há uma hierarquia, assim como na manada que somos parceiros. Quando essa parceria é transmitida ao animal, de maneira que ele entenda, e feita por pessoas que têm essa sensibilidade, a resposta será de animais dóceis, competitivos e de confiança.
Classificamos três tipos de cavalos no desenvolvimento do trabalho no dia-a-dia: temos os cavalos precoces, os normais e os tardios.
Trabalhar um cavalo precoce é bom, mas é um animal que nos dificulta por antecipar os movimentos, você terá que trabalhar o posicionamento deste animal. Já os cavalos normais vão subindo os degraus conforme o treinamento, são animais que vão melhorando no dia-a-dia. Os animais tardios precisam de dois a três anos de treinamento, de início podem até começar bem, depois estacionam, às vezes têm movimentos de explosão e caída de rendimento, são cavalos em que os rendimentos oscilam muito no início do treinamento. Na maioria das vezes esses animais se tornam firmes, sólidos e competitivos. O trabalho acaba compensando, nesse caso a paciência é fundamental.
INICIAÇÃO DE POTRO DE APARTAÇÃO PÓS-DOMA
Esse é um caminho trilhado por muitas pessoas e entendido por poucas.
Para um potro de Apartação que tem linhagem de Trabalho, o histórico familiar é importante, faz a diferença. Sua morfologia conta muito, mas o que vai diferenciá-lo é sua aptidão pelo boi. Mesmo que tenha dificuldade para executar alguns movimentos, trabalhamos em cima disso para ajudá-lo a desenvolver essas habilidades.
O cavalo de apartação apóia-se nos posteriores e deixa os anteriores leves, com flexibilidade de costela, é tranqüilo fora de pista e explosivo no boi, tem um brilho natural, suavidade de movimento, mas se for preciso, não tira o olho do boi e não dispersa enquanto trabalha. Um potro para ser iniciado precisa executar bem os movimentos de paradas, com leveza nos anteriores para fazer roback de 180°. Executando movimentos com facilidade é o momento de iniciá-lo, trilhando no boi nos primeiros dias (obs.: Em todo trabalho ou modalidade que exija boi é importante iniciar um cavalo trilhando no boi para que tenha sentido para o animal, a partir daí vai se desenvolvendo os movimentos necessários para que possa executar com perfeição e para que o cavalo possa entender o procedimento).
Quando o cavalo consegue acompanhar o boi sem ajuda das rédeas (rédeas soltas), podemos passar para a próxima etapa. Tem cavalos que conseguem logo no primeiro contato fazer todo exercício com perfeição, não é necessário perder muito tempo para passar para o próximo exercício, aí você trabalha a sensibilidade do animal.
O exercício de trabalhar cavalo paralelo ao boi consiste em começar a cortar o boi, deixar o cavalo descobrir os movimentos, perceber que pode controlar o boi. Esses movimentos vão acontecendo, o boi se torna o espelho do cavalo, começa como uma brincadeira que não exige muito do cavalo, para que possa sentir o desejo de cercar o boi. Dessa forma você sentirá aos poucos a aptidão do animal, e poderá parar o potro sempre na hora de maior explosão, deixá-lo com vontade. No dia seguinte a resposta será maior ou melhor, pois o trabalho feito hoje, terá a resposta sempre amanhã, seja mais ou menos, depende de como você trabalha seu cavalo e como você o respeita. As técnicas aliadas à sensibilidade são as maiores ferramentas para um grande treinador.
A pista que oferece menor pressão para iniciar cavalos de apartação sem dúvida é o redondel. O cavalo precisa de espaço pelo fato de não saber executar com precisão os movimentos, não podendo ficar limitado a um espaço pequeno. Coma área adequada e sem tanta pressão, os animais conseguem trabalhar mais relaxados e o rendimento é melhor.
Depois que o potro toma a consciência e consegue controlar bem os movimentos do boi é hora de trabalhar com o gado no centro do redondel. Colocar entre quatro e seis cabeças é o suficiente, e aí é a hora de o potro tomar conta do espaço que ele terá para trabalhar e saber que não poderá deixar o boi voltar ao lote. O treinamento nessa nova etapa será um tanto puxado, mas não estressante.
É hora de criar consciência de alinhamento e ter controle total do boi. Quando temos um animal que tem “boi nas veias”, é necessário dosar esse treinamento, ser preciso nas correções, liberar, executar os movimentos e pará-lo. O tempo suficiente de treinamento com boi é de três a quatro minutos, caso contrário começa-se causar um stress no animal que pega bronca do boi, e ainda vai colaborar cada vez menos com seu treinador, já que tudo que enche transborda e quando se perde é ruim. E pode acontecer de se perder um bom animal por falta de sensibilidade.
Para finalizar, chega-se ao refinamento do treinamento onde é preciso o time, a precisão e o aperfeiçoamento dos movimentos. É aí que os detalhes fazem a diferença. É na última etapa do treino que o rebanho fica no canto da pista, o cavalo tira o boi do lote e esse animal trabalhará numa linha sem avançar, com precisão, por 2:50. Serão avaliados, rédeas soltas, grau de dificuldade, expressão do cavalo no boi, posicionamento, beleza da prova e tempo trabalhado.
Chega o grande dia, a estréia desses animais na pista, o Potro do Futuro. A qualidade dos pedigrees no Brasil vem crescendo e os profissionais cada vez mais buscam melhorar as suas técnicas.
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